terça-feira, 19 de março de 2013

Reflecting on Language Learning and Identity

A língua é um dos principais meios de expressão e ação do ser humano no mundo, além de refletir e expressar muito de quem somos, do que sentimos e pensamos. Assim, possuímos um vasto registro em nossa mente de nosso berço cultural, valores, crenças e memórias de experiências vividas atrelados à nossa língua nativa. A partir do momento em que aprendemos uma nova língua, novas possibilidades bem como um “novo mundo” nos abre as portas. Passamos a integrar uma nova comunidade, a fazer novas descobertas e a desenvolver nossas habilidades a partir da utilização de uma outra língua, o que possibilita a descoberta do nosso próprio eu e contribui para a construção da nossa identidade. A nova língua passa a ser um valioso instrumento de comunicação e o foco de seu uso está no conteúdo expressado através dela, não apenas em sua estrutura gramatical. Utilizando- nos dessa poderosa ferramenta, temos o livre- arbítrio de construirmos a identidade que desejarmos e a reconstruirmos se assim quisermos.
Partindo do príncipio que discurso, falantes e relações sociais são inseparáveis, observa- se que, ao se comunicarem com falantes nativos, os alunos não trocam apenas informações, mas também estão constantemente organizando e reorganizando um senso de quem são e como se posicionam e interagem com o mundo social. Penso que aprender uma língua estrangeira está diretamente relacionado a se assumir uma nova identidade uma vez que uma nova cultura se apresenta, colocando o aprendiz em questionamento de seus próprios costumes e oferecendo possibilidades de mudanças que antes não eram consideradas possíveis ou necessárias.
 Uma das estudiosas que aborda a temática identitária em suas discussões a indicar é Bonny Norton (1997), que trata das relações de poder entre falantes "nativos" e "não- nativos", da natureza não- unitária e múltipla do sujeito e das mudanças da  subjetividade através do tempo. E questões a respeito de divergências culturais são  ressaltadas por David Block (2007), que aponta a importância de expor os alunos ao contexto real no qual a língua estrangeira se insere através de filmes, músicas e literatura, a fim de familiarizar os alunos e evitar desentendimentos.
Por fim, acredito que o investimento numa língua estrangeira é também um investimento do aprendiz em sua própria identidade, que se transforma através do tempo e do espaço e se constrói na medida em que se faz necessário, pois estamos, assim como o mundo que nos cerca, em constante processo de evolução.
Daniela Aires

REFERÊNCIAS:
BLOCK, D. 2007. Second Language Identities. Continum. Cap. 05, p. 112-119.
NORTON, B. 1997. Language, Identity and the Ownership of English. University of British Columbia. TESOL Quarterly. Vol.31.3: 409-428.

3 comentários:

  1. Novo contexto, novo pensamento e novos pontos de vista. Mesmo parecendo iguais, as culturas tem peculiaridades que só são percebidas com um contato mais profundo, e a língua é a chave para esse conhecimento. Ótimo Texto

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  3. Ótimo trabalho !!! Concordo com a questão de uma nova identidade diante de uma situação e cultura diferentes da nativa. Neste caso, há a possibilidade de uma desconstrução do nosso "eu", que é formado imerso em costumes e crenças culturalmente adquiridos e acabam enraizados em nossos pensamentos e atitudes e a imersão e questionamento da nossa própria identidade, que encontra uma possibilidade de ser (re)construída a partir de uma nova vivência, língua e costumes.


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